( ao som de Cassia Eller - Malandragem)
Vinha pela Avenida Mem de Sá, assim que cruzou a Travessa do Mosqueira sentiu todos os olhares voltarem para sua direção; sem duvida, acertara ao escolher vermelho, e decidiu esperar por suas amigas naq
uele bar de esquina mesmo. Com charme e delicadeza puxou a cadeira e sentou-se, imediatamente um dos garçons que sempre estavam de prontidão na porta veio onde estava, porém nada pediu. Seus pensamentos estavam longe, vagando bem longe daquelas pessoas, andavam por lugares escondidos, por entre aquelas muitas ruazinhas e se perdiam em meio a tantas lembranças sob os Arcos da Lapa... Mas seus pensamentos voltaram ao mesmo lugar, quando uma dessas moças que ficavam a distribuir folhetos dos diversos bares e casas noturnas da região, lhe entregou um panfleto do Lapa 40º, por coincidência o mesmo lugar que tinha combinado com suas amigas.
Pegou o folheto, agradeceu com um sorriso, passou os olhos pelo o que estava escrito, e repousou o papel na mesa; olhou a sua volta e só então se deu conta que em sua direção vinha ele, o rapaz de cabelos castanhos e olhos claros, o mesmo rapaz que estava a uma considerável distância de onde estava sentada. Ainda que à distância, e de forma sutil havia fixado seu olhar naquele rapaz, e percebia que o mesmo acontecia com ele; já que ele não fazia tanta questão de ser tão sutil quanto ela. Sem pressa, com um copo na mão, e a passos curto se aproximava; ela, ela continuava ali com o brilho convidativo no olhar, sem demonstrar que por dentro estava ansiosa com a aproximação do rapaz.
- Prazer, Henrique! – disse ele.
- Prazer! – respondeu ela com um sorriso de canto de boca.
- Posso me sentar aqui? – falou meio sem jeito, e completou – ou está acompanhada?
- Fique a vontade! – e o sorriso tomava conta da boca inteira agora.
Instantaneamente puxou a cadeira, colocou sobre a mesa seu copo que estava pela metade, e sentou-se frente a frente com ela. Olhava fundo naqueles olhos negros como a noite coberta de mistérios, ela fazia o mesmo, e acabara de notar que aqueles olhos que penetravam fundo, eram azuis como o céu, azuis como o mar. A troca de olhar foi intensa, sem palavras eles estavam se descobrindo, e quando ela estava a pouco de se afogar naquele mar, ele disse:
- Não vai dizer seu nome?
- Hum... Meu nome?! – falou silabicamente – Será que devo? – deixando escapar outro sorriso de lado.
- E porque não?! – perguntou ele - a não ser que gosta de manter mistério.
Ela cruzou as pernas, apoiou o braço direito na mesa, desviou o olhar daqueles olhos que a hipnotizavam, estendeu delicadamente o outro braço, que descansava na sua perna, pegando o copo que ele acabara de colocar sobre a mesa, e então respondeu:
- Ao invés de falar, gosto que descubram – disse tomando um gole do que havia no copo, e continuou – e de que vale eu falar meu nome, se com mais alguns desses – mostrou o copo – você nem se lembrará mais de mim? – perguntou, tomando num gole só, o que ainda restara no copo, e só então completou com um sorriso de sagacidade estampado no rosto – Vodka pura!
Era seu dom deixar as pessoas sem palavras, e outro no lugar dele, teria levantando e deixado ela sozinha ali, enquanto esperava suas amigas chegarem; mas ele ficou. Disfarçou a falta de jeito e chamou o garçom.
- Mas ao menos aceita um drink?
Ela sorriu, sorriu satisfeita, sorriu e ele entendeu que era um sim, sem sombra de duvidas.
- Então, o que vai pedir? – perguntou ele.
- Vodka, vodka pura, por favor – disse olhando ora para ele, ora para o garçom
- O mesmo que ela – falou sem hesitar.
Não demorou muito para a bebida chegar, e mesmo se tivesse demorado, mal teriam notado, pois o papo estava bom. Ela insinuando, ao invés de dizer, usava meias palavras que sempre diziam mais, e ele tentando descobrir segredos nas entrelinhas. Também não demorou muito para suas amigas chegarem, alias, chegaram justamente quando ele havia se levantado para ir ao banheiro; ela tomou o ultimo gole do seu copo, chamou o garçom, e junto com a conta pediu uma caneta. Enquanto o garçom foi pegar a conta, ela escrevia rapidamente naquele panfleto que estava ali jogado na mesa... O garçom voltara, ela olhou a conta, e com um sorriso disse:
- Fique com o troco, mas antes e quando aquele moço que estava sentado aqui voltar, entregue isso a ele – disse esticando o braço delicadamente, nem com o garçom deixara de usar seu charme.
Levantou de sua mesa do mesmo modo que sentara e enquanto ia ao encontro de suas amigas sentia-se novamente alvo de todos os olhares, foi com um largo sorriso de satisfação estampado no rosto que cumprimentou suas amigas, e partiram em direção a Rua Riachuelo.
quarta-feira, 4 de março de 2009
2º Capítulo: Ela é Carioca
Por Paulo 9 comentários
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
1º Capítulo: Por que é que não desisto de você?
(ao som de Apologize - One Republic feat. Timbaland)
Ante as pessoas, aparentava ter a bravura e a coragem de um leão, falava tudo que vinha em mente e no segundo seguinte arrependia-se - quantas e quantas vezes, por orgulho, engoliu o arrependimento, junto com o choro, a seco e sorriu, demonstrando frieza enquanto por dentro estava aos berros e seu cor
ação em pedaços - às vezes e por descuido, seus intensos olhos negros ficavam rutilos, mas era no silêncio, entre as quatro paredes do banheiro que suas verdadeiras lágrimas caiam sem pudor algum. Sentada ali, debaixo do chuveiro derramava seu pranto, sentindo a água que brotavam de seus olhos se misturar a fresca água que escorria por seu corpo, chorava a dor do arrependimento, a dor das palavras que feriam muito mais que uma surra bem dada, ela disse o que quis, e ouviu o que jamais esperava ouvir: “Por que é que não desisto de você?”.
Ele, foi ele quem disse isso, ele que sempre esteve do seu lado, ele que sempre fez tudo por, e para ela, ele que cansado dos olhares de indiferença, das palavras mais ásperas disse o que estava entalado na garganta desde a primeira briga. Brigas! Brigas! Sim, ele acabaria voltando, assim como das outras vezes, era só questão de tempo.
É sábado, ela não passaria o resto da noite ali, ela não ficaria esperando ele voltar sentada, chorando, nunca foi disso e não é agora que iria ser. Um pouco aliviada, desligou logo o chuveiro, queria esquecer e esquecer iria, mesmo que tivesse que encher a cara, mesmo que tivesse que beijar outras bocas para esquecer o amargor daquelas palavras, não seria a primeira vez que faria isso, e tão pouco a ultima.
Vestiu sua melhor roupa, decote sempre lhe caiu bem e a deixava com ar de mulher ainda que tivesse os olhos, olhos negros de menina, menina curiosa; mas antes de colocar os pés para fora do portão, se despediu da menina, pois fazia questão que ela ficasse dormindo em casa.
Continua...
Por Paulo 11 comentários
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
É facil
... exagerar na dose quando não se tem nada mais a perder, difícil é acordar no dia seguinte. É fácil, em meio à raiva, fazer tempestade num copo d’água, dizer sem pensar e sair porta fora, difícil é em meio a calmaria dizer o que deve ser dito, notar o que deve ser notado, antes que tudo acabe sendo perdido. É fácil se apaixonar, difícil é não deixar o amor se transformar em bom dia, boa noite; mas quem, em meio à rotina, consegue não dizer tudo tão depressa, não fazer tudo tão depressa? Seria mais sensato desistir, largar de mão, dar as costas, colocar um ponto final depois de tantas vírgulas, mas não, ainda se insiste, ainda se engana, se ilude, ainda se ama, desama e ama outra vez! E tudo em nome do amor, amor esse que talvez seja o ridículo da vida, pois mesmo se pondo sempre, se continua buscando, procurando, revirando, tentando encontrar nos cacos, nos restos do que um dia foi belo, e hoje é insegurança, é incerteza, medo, é obrigação. Afinal, será que amar é mesmo tudo? Qual o segredo da felicidade? Por que não uma trégua? E por que não outra chance? Mas vale a pena se entregar, se dedicar, se ofertar, se doar, e não ver nada, nada mudar? Ou será que é preciso ficar só para se viver? Depois de terem dito tantas coisas, de terem feito tantas coisas, e em busca de tais respostas, é assim que a historia que vou contar começa...
Por Paulo 7 comentários