quarta-feira, 4 de março de 2009

2º Capítulo: Ela é Carioca

( ao som de Cassia Eller - Malandragem)

Vinha pela Avenida Mem de Sá, assim que cruzou a Travessa do Mosqueira sentiu todos os olhares voltarem para sua direção; sem duvida, acertara ao escolher vermelho, e decidiu esperar por suas amigas naquele bar de esquina mesmo. Com charme e delicadeza puxou a cadeira e sentou-se, imediatamente um dos garçons que sempre estavam de prontidão na porta veio onde estava, porém nada pediu. Seus pensamentos estavam longe, vagando bem longe daquelas pessoas, andavam por lugares escondidos, por entre aquelas muitas ruazinhas e se perdiam em meio a tantas lembranças sob os Arcos da Lapa... Mas seus pensamentos voltaram ao mesmo lugar, quando uma dessas moças que ficavam a distribuir folhetos dos diversos bares e casas noturnas da região, lhe entregou um panfleto do Lapa 40º, por coincidência o mesmo lugar que tinha combinado com suas amigas.
Pegou o folheto, agradeceu com um sorriso, passou os olhos pelo o que estava escrito, e repousou o papel na mesa; olhou a sua volta e só então se deu conta que em sua direção vinha ele, o rapaz de cabelos castanhos e olhos claros, o mesmo rapaz que estava a uma considerável distância de onde estava sentada. Ainda que à distância, e de forma sutil havia fixado seu olhar naquele rapaz, e percebia que o mesmo acontecia com ele; já que ele não fazia tanta questão de ser tão sutil quanto ela. Sem pressa, com um copo na mão, e a passos curto se aproximava; ela, ela continuava ali com o brilho convidativo no olhar, sem demonstrar que por dentro estava ansiosa com a aproximação do rapaz.
- Prazer, Henrique! – disse ele.
- Prazer! – respondeu ela com um sorriso de canto de boca.
- Posso me sentar aqui? – falou meio sem jeito, e completou – ou está acompanhada?
- Fique a vontade! – e o sorriso tomava conta da boca inteira agora.
Instantaneamente puxou a cadeira, colocou sobre a mesa seu copo que estava pela metade, e sentou-se frente a frente com ela. Olhava fundo naqueles olhos negros como a noite coberta de mistérios, ela fazia o mesmo, e acabara de notar que aqueles olhos que penetravam fundo, eram azuis como o céu, azuis como o mar. A troca de olhar foi intensa, sem palavras eles estavam se descobrindo, e quando ela estava a pouco de se afogar naquele mar, ele disse:
- Não vai dizer seu nome?
- Hum... Meu nome?! – falou silabicamente – Será que devo? – deixando escapar outro sorriso de lado.
- E porque não?! – perguntou ele - a não ser que gosta de manter mistério.
Ela cruzou as pernas, apoiou o braço direito na mesa, desviou o olhar daqueles olhos que a hipnotizavam, estendeu delicadamente o outro braço, que descansava na sua perna, pegando o copo que ele acabara de colocar sobre a mesa, e então respondeu:
- Ao invés de falar, gosto que descubram – disse tomando um gole do que havia no copo, e continuou – e de que vale eu falar meu nome, se com mais alguns desses – mostrou o copo – você nem se lembrará mais de mim? – perguntou, tomando num gole só, o que ainda restara no copo, e só então completou com um sorriso de sagacidade estampado no rosto – Vodka pura!
Era seu dom deixar as pessoas sem palavras, e outro no lugar dele, teria levantando e deixado ela sozinha ali, enquanto esperava suas amigas chegarem; mas ele ficou. Disfarçou a falta de jeito e chamou o garçom.
- Mas ao menos aceita um drink?
Ela sorriu, sorriu satisfeita, sorriu e ele entendeu que era um sim, sem sombra de duvidas.
- Então, o que vai pedir? – perguntou ele.
- Vodka, vodka pura, por favor – disse olhando ora para ele, ora para o garçom
- O mesmo que ela – falou sem hesitar.
Não demorou muito para a bebida chegar, e mesmo se tivesse demorado, mal teriam notado, pois o papo estava bom. Ela insinuando, ao invés de dizer, usava meias palavras que sempre diziam mais, e ele tentando descobrir segredos nas entrelinhas. Também não demorou muito para suas amigas chegarem, alias, chegaram justamente quando ele havia se levantado para ir ao banheiro; ela tomou o ultimo gole do seu copo, chamou o garçom, e junto com a conta pediu uma caneta. Enquanto o garçom foi pegar a conta, ela escrevia rapidamente naquele panfleto que estava ali jogado na mesa... O garçom voltara, ela olhou a conta, e com um sorriso disse:
- Fique com o troco, mas antes e quando aquele moço que estava sentado aqui voltar, entregue isso a ele – disse esticando o braço delicadamente, nem com o garçom deixara de usar seu charme.
Levantou de sua mesa do mesmo modo que sentara e enquanto ia ao encontro de suas amigas sentia-se novamente alvo de todos os olhares, foi com um largo sorriso de satisfação estampado no rosto que cumprimentou suas amigas, e partiram em direção a Rua Riachuelo.

9 comentários:

Natália disse...

Nossa... Para combinar com um dos meus capítulos preferidos, uma música que resume tudo, inclusive o espírito das personagens ;)

Parabéns Cavalheiro...

Beijo

Lua disse...

Adorei!
Extremamente sedutor.

Bgsmil *:

ALF disse...

Eita mistério.

Tem continuação não?

História bem envolvente. Esse jogo de olhares, essa magia atraente é lindo.

Ficou um ar sensual, leve, mas sensual.

Gostei Paulo.
Quero ver a continuação hehe

Abração

Luana H. disse...

Fantásticooo!


Doida pra saber o nome dela...hehe
Tô amando tua história!

Passa lá pelo Sina!


Beijão e boa páscoa.

Tataahzinha disse...

Não acompanho todas as suas historias até pqe é minha primeira vez aqui.. mas adorei este capítulo!
Voltarei mais vezes com certeza!
beeeijos

Profº. Eric Frantto disse...

Fala, irmão! Quanto tempo, héin?! Aí, vc sabe que o nome do meu blog agora é "Artettude!", né?
Passa lá, parabéns pelo belo post, pra variar. Grande abraço!

Turandot disse...

Saudades de ler o que você escreve!
Cada dia melhor =]

beijos
;**

Juliana Lima disse...

adorei seu blog!
estou te seguindo! :)

beijos

Eric Frantto disse...

Fla, irmão. Dei uma sumidinha, mas já tou voltando com tudo. Tem coisa nova no meu blog, viu?

E quanto a suas histórias...muito boas, como sempre!

Graça e paz!